segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Entrevista com Dr. VALMIR LACERDA (Ex-Prefeito e Fundador da Banda )





Dr. José Valmir Ramos Lacerda, Prefeito de Araripina – PE nos anos de 1982 a 1989, o grande administrador de grandiosas obras estruturais, durante seu legado fundou a Banda Municipal no ano 1987, banda esta batizada pelo próprio prefeito com o nome do Saudoso Maestro Álvaro Campos merecedor de enaltecida homenagem. O Ex-Prefeito Dr. Valmir Lacerda, ilustre personalidade que tive o prazer de entrevistar e que aplicou a suas palavras uma serenidade impar falando com a autoridade de conhecimento sobre a criação da Banda, logo após a entrevista em uma conversa descontraída relatou-me fatos importantes guardado na sua memória, são detalhes de grandes momentos culturais, políticos e sociais ocorridos nas ultimas décadas no sertão do Araripe, sua figura de visual marcante com brilho próprio e um apaixonado por a Banda Maestro Álvaro Campos facilitou a comunicação, e sabendo-se que suas obras são concretas, duradouras e inabaláveis, a nossa BANDINHA (carinhosamente conhecida) criada pelo mesmo, até os dias atuais é o único patrimônio cultural existente que proporciona a principal atividade de lazer artístico-histórico-cultural  na cidade de Araripina no sertão Pernambucano.

Hely Alen: Como foi o processo de criação e fundação da Banda Maestro Álvaro Campos?

Dr. Valmir Lacerda: A Banda! Isso foi uma homenagem que fiz a Álvaro Campos, eu era prefeito nessa época, e o Padre solicitou que iria precisar de uma Banda e se a prefeitura podia ajudar, para os festejos da festa da padroeira, eu disse que sim, só que, eu quando criança conheci aqui uma banda de música do Maestro Álvaro Campos, ele era quem alegrava as noites aqui festivas, e ele tinha esses instrumentos que conseguiu todos em Paris, todos instrumentos importados, e ele então abriu uma escola de musica com  pessoas da sociedade, naquele tempo não é como hoje, hoje a qualquer discriminação, o sujeito não se aproxima muito de fulano porque fulano tem isso tem aquilo, mas naquele tempo não havia discriminação, por mais pobre que o sujeito fosse pobre, o que valia era a vergonha na cara e tinham amizade mesmo, eram amigos, ricos e pobres não havia distinção isso em escolas, não é, e seu Álvaro como era, foi o primeiro farmacêutico daqui e ele nasceu dentro de uma banda de musica na cidade de Jardim no Ceará e aos 12 (doze) anos ele já tocava todos os instrumentos, mas o instrumento que ele gostava mesmo era a requinta, você deve conhecer a requinta? “Hely Alen: conheço sim”, pois é, mas ele tocava todos os instrumentos, era o homem que seguia a partitura, e quando jovem ele teve a oportunidade de conhecer uma senhora em Bodocó e lá casou, quer dizer, esse pessoal morava no jardim, mas veio para Bodocó que eram conhecidos dele lá e ele casou-se e foi viver em Bodocó onde abriu uma farmácia e continuou com banda de música em Bodocó, ele foi sabedor que existia essa cidade aqui veio passear e conheceu e achou um comercio fértil, então mudou-se de Bodocó pra aqui, era viúvo já, a esposa dele faleceu em Bodocó e ele veio pra aqui viúvo e aqui casou-se, sua segunda núpcias, e aqui além da implantação da sua farmácia, seu comercio, uma grande farmácia, alem de farmacêutico ele tinha uma especialidade, ele manipulava medicamento, não existia ainda na época, e ele manipulava e fazia também a função de médico, pois não existia medico na cidade, quando ele chegou aqui em 1930, e o primeiro medico que apareceu aqui foi em 1937. Ai montou aqui uma grande farmácia e auxiliava qualquer doente, e fazia, e não pensando na parte financeira, ele era um homem de muita responsabilidade, se tivesse dinheiro pagava o medicamente se não tivesse vendia e pagava quando pudesse ou não pagava, ele tinha essa boa qualidade. Então ele pegou aqui vários jovens e transformou em bons músicos, e por isso quando prefeito, ele faleceu no ano de 1959. Eu criei a Banda de Músico, fui ao Uiraúna no estado da Paraíba e trouxe 10 (dez) bons músicos profissionais, e aqui cheguei pra ofertar a igreja uma banda de musica formada na cidade, formada por músicos paraibanos, músicos de renome e aqui nos fizemos, fundamos aqui o museu, criamos o museu e ao lado eu fiz um prédio a instalação da banda de musica e a escola, nos temos aqui aluno dessa escola que hoje e cirurgião médico, inclusive cirurgião plástico, outros profissionais, quer dizer muitos se dedicaram aqui a musicas mas também outras atividades, engenheiro, medico, professores, mas essa escola acredito que perdura até o dia de hoje, a Banda de musica que hoje é um patrimônio cultural e é um patrimônio da prefeitura municipal de Araripina, essa banda é municipal e os músicos daquela época eles tinha direito a casa, alimentação, roupa lavada e salário, porque somente assim eu podia manter aquela banda e que viessem bons músicos para Araripina, e para Araripina só podiam vir com vantagens e essas vantagens são o reflexo de hoje. Nos temos essa banda que representa o nome de Álvaro Campos o primeiro Maestro e primeiro farmacêutico desta cidade e que hoje é um patrimônio cultural do município de Araripina a Banda de Música Álvaro Campos, o nome completo dele era Álvaro Alves Campos.

Dr. Valmir Lacerda: Eu quero até fazer uma colocação, o único desta banda de musica que existe que eu trouxe do Uiraúna – PB, existe o clarinetista Betinho, então o Betinho, esse ficou, muitos voltaram como o professor Geraldo, Marcondes, Neto, eu soube que Sinval e outros são falecidos, mas agente agradece muito, agente deve ser grato, porque houve melhor perspectiva, eu agradeço hoje e um dia feliz se eu tiver oportunidade vou ao Iraúna agradecer lá, ainda a eles que vieram deslocado de lá com tanto sacrifício, muitos deixaram a família e vieram pra cá, e sempre quando tinha um feriado eu mandava que eles fossem pra casa nas férias pra o aconchego da família e outros terminara trazendo a esposa e família pra aqui, mas que retornaram a terra natal porque tem o espírito nativista o amor a terra natal, mas que contribuíram, e foi a Cidade do Uiraúna que deu uma grande contribuição pra o desenvolvimento da cultura depois de Álvaro Campos, sim foi o Uiraúna que deu a contribuição para o engrandecimento dessa banda de musica de Araripina.

Hely Alen:  Fique a vontade para deixar a sua mensagem e considerações finais?

Dr. Valmir Lacerda: O que eu quero lhes dizer é que, eu sou apaixonado por essa banda, era tanto que, tinha um dobrado “Saudade da Minha Terra”, que eu sou fã desse dobrado porque o Maestro Álvaro Campos, agente (eu) criança, quando terminou a segunda guerra mundial, eu me lembro ainda com 4 (quatro) anos de idade quando terminou a segunda guerra mundial, ele desfilou com todos os músicos aqui tocando de dia e noite esse dobrado saudade da minha terra. E seu Álvaro continuou com a banda dele até morrer, e por isso essa homenagem que nos fazemos a esse nome que muita gente não sabe por que nos demos esse nome, uma homenagem a um homem que o filho também foi farmacêutico, a filha foi a primeira diretora do colégio são Gonçalo, Luzalva Lócio Campos que ensinava Frances, que tanto que seu Álvaro foi o primeiro que inventou quadrilha de são João aqui, ele puxava, ele era o puxador da quadrilha em Frances e português e a sociedade toda freqüentava; o Juiz, promotor, delegado, toda sociedade gostava de seu Álvaro Campos, que por isso seu Álvaro conquistou corações de todos os Araripinenses, teve sua segunda núpcias e todos os seus filhos nasceram aqui, infelizmente houve uma tragédia com um dos filhos dele e a família migrou, mas a amizade ficou, e essa homenagem de Seu Álvaro ficou eterna aqui em Araripina, e seu filho José Arnold Campos que morreu de uma tragédia, uma fatalidade, “tem uma rua com o nome dele José Arnold Campos que também era farmacêutico”, esse cidadão foi um dos melhores jogador de futebol daqui de Araripina, o José Arnold Campos. Mas o seu Álvaro tinha uma coisa, agente chegava na farmácia pra comprar o medicamento, e dizia tem esse medicamento, ele, tem, mais ele saia dando as notas, dó, ré, mi, ré, fá, sol, lá, depois de muito tempo é que vinha com o medicamento, era um apaixonado e andava na rua, gostava, a mão dele servia de batuta, dó, ré, mi, e aquilo era o costume que ele tinha, e por isso essa Banda recebe essa homenagem ao querido e inesquecível Álvaro Alves Campos.

Hely Alen: Obrigado Ex-Prefeito Dr. Valmir Lacerda por abrir e elevar nossos olhos além do horizonte sobre os conhecimentos fundamentais da configuração da Banda Maestro Álvaro Campos, somos gratos pela brava e heróica iniciativa de continuar com a cultura musical de Araripina, tanto eu como todos os músicos e leitores agradecem por tanta feitoria a cultura musical, tenho certeza que em tempos adiante será apropriadamente merecido de honras e  homenageado por tais feitos, saiba quando a Banda entoa o dobrado Saudade de Minha Terra tenha certeza que é para homenageá-lo, pois eis unânime na Banda Álvaro Campos que nos momentos de descontração já mudaram o nome de saudade de minha terra para o dobrado de Dr. Valmir. Um grande homem que construiu o Museu e o Espaço Cultural (antiga sede da Banda hoje desativado) como também a escolinha de música que formou uma geração, deu total apoio e dignidade aos músicos que nela tocavam; boa estadia, bom salário, qualidade de vida, respeito aos músicos, são tempos inesquecíveis, que infelizmente foram esquecidos por a maioria dos pós-administradores que nunca se emocionaram ao ouvir uma música executada por uma banda de musica, nem prestigiaram se que um ensaio ou retreta da BANDA MAESTRO ÁLVARO CAMPOS, lembro-me a nostalgia dos tempos em que íamos á pracinha ver e ouvir a Banda tocar e lá se reuniam jovens, professores, senhoras e senhores da sociedade e quase sempre encontrávamos sua gratificante presença sempre aplaudindo a apresentação. Fica nossas mais respeitosas considerações por Vossa Senhoria, e a certeza que por unicamente por vosso empenho e causa ainda existe a proliferação da cultura Musical da Banda Maestro Álvaro Campos em Araripina e região.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Entrevista com Maestro Geraldo Moisés

Geraldo Moisés de Andrade, musico á 44 anos natural da cidade do Uiraúna/PB foi o primeiro Maestro da Banda Maestro Álvaro Campos de Araripina/PE , regendo-a de 1987 a 1989, atualmente é  professor e maestro da banda Jesus, Maria e José no Uiraúna/PB uma das pedras fundamentais para geração e renovação dos músicos em Araripina.

Hely Alen: Como a música entrou na sua vida?

Maestro Geraldo Moises:  Em 1965 passei a morar na cidade de Uiraúna PB, no Bairro Cristo Rei, aonde moravam muitos músicos e através da influência de colegas passei a estudar música na Escolhinha do professor Ariosvaldo, isso em 1967, em 68 comprei um Sax e no mesmo ano passei a fazer parte na banda Jesus, Maria e José. Em 69 já toquei o carnaval e 1971 passei a fazer parte da Orquestra Uiraunense do Maestro Dedé de Capitão. Em 1985 passei tocar na minha Orquestra Liberal de Frevo. Hoje estou com a Orquestra Uiraunense de Baile e a Orquestra Uiraunense de Frevo. Tenho Curso de Licenciatura em História e sou funcionário público do Estado da PB.


Hely Alen: Como aconcetecu o convite para reger a Banda Maestro Álvaro Campos?


Maestro Geraldo Moises:  O convite foi através do maestro Ariosvaldo, que não tinha tempo para trabalhar em Araripina, então ele indicou-me ao prefeito Dr. Valmir Lacerda. Eu que estava sem emprego topei a parada, antes eu visitei a cidade de Araripina, somente em agosto de 87 assinei um contrato com a prefeitura para a formação de uma banda de música. Foi aberto as matriculas para a escola, mas o prefeito queria  com urgência a formação da banda, então levei músicos da minha cidade para formação de uma bandinha. A Banda teve a seguinte formação: Sax Geraldo Moisés, Trompete Marconi, Trombone Sinval, Bombardino Neto, Clarinete Gilberto, Tuba Veinho, Tarol César, Bombo Wanderley, Pratos Boréu e Surdo Bandeirinha.

Hely Alen: Quando estreou a Banda?

Maestro Geraldo Moises:  A estréia da Banda foi no final do mês de novembro de 87, com a formação citada anteriormente. Tendo o Senhor Pedro Bandeira como diretor. Após a estréia a Banda passou a fazer retreta todos os domingos, sendo requisitada para se apresentar em outras cidades na proximidade de Araripina.

Hely Alen: Fale sobre a 1ª escolinha de música da Banda?

Maestro Geraldo Moises:  A Escolhinha iniciou com um grande números de alunos novatos e  veteranos, só que aqueles que não tinha vocação musical foram desistindo ficando somente os que queriam  realmente ser músico.

Hely Alen: O que o levou a voltar ao Uiraúna e quais as lembranças e recordações que levou da Banda Maestro álvaro Campos e Região? 

Maestro Geraldo Moises:  O que levou a voltar  definitivamente a cidade de Uiraúna, foi que eu fui aprovado para ser funcionário público da PB. Hoje ainda me lembro das tocatas que nós faziam na região como nas cidades Simões, Custódia, Ouricurir, Trindade , Ipubi, Exu e tantas apresentações da Banda. Deixei muitas amizades com os músicos autoridades e o povo em geral, tenho grandes recordações desse tempo que passei em Araripina. Hoje estou na frente da Banda Jesus, Maria e José, fundei uma Orquestra de Baile e mantenho a famosa Orquestra Uiraunense de Frevo.

Hely Alen: Duranta esse anos envolvido e dedicado a música, faça uma analise do passado até os dias atuais e fale sobre as principais mudanças no meio musical das bandas e dos músicos?

Maestro Geraldo Moises:  Antigamente as banda de músicas eram bastante requisitadas para participar de eventos cívicos , religiosos e sociais, hoje as autoridades estão dando oportunidades as grandes bandas influenciada pela mídia, deixando de lado as bandas musicais. Nós músicos precisamos estar unidos para enfrentar tudo isso que está acontecendo, não as tradicionais bandas vão se acabar. Vamos gritar e cobrar das autoridades mais apoio moral e financeiro.

Hely Alen: Maestro Geraldo fique a vontade para suas considerações finais?

Maestro Geraldo Moises:  Para mim foi  muito gratificante ter trabalhado em Araripina, e ter sido o primeiro maestro da Banda Maestro Álvaro Campos, espero que os futuros músicos não esqueça da História real, não deixe de lado os que lutaram para a formação e continuidade da historia musical de Araripina. Quero agradecer a todos sem citar nomes, muito obrigado ao Hely pela oportunidade de falar ao povo de Araripina.

Hely Alen: Deixe uma mensagem?

Maestro Geraldo Moises:  “Música é vida interior, e quem tem vida interior, jamais padecerá de solidão” . ( Artur da Távola)

Hely Alen: Araripina e a Banda Maestro Álvaro Campos agradece por tudo que o Maestro Geraldo Moises fez por a cultura musical na região, um exemplo de músico e pessoa, veio da Paraíba deixar seu legado no Pernambuco plantando varias sementes musicais que floresceram e enraizaram no sertão Pernambucano. 



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Entrevista com José Gilmar da Silva


Gilmar 
Jose Gilmar da Silva, trombonista natural de Araripina/PE, com quase 24 anos dedicado a musica, o único  aluno do Maestro Geraldo Moises em atividade na Banda em Araripina , esteve juntamente com Flavio Daniel na Regência da Banda nos anos de  1999 a 2008, hoje é o 1º trombone de vara e instrutor na escolinha de musica da Banda Maestro Álvaro Campos.

Hely Alen: Como surgiu a musica e a Banda Maestro Álvaro Campos em sua vida?

Gilmar: Foi através do meu colega de teatro Ciro Bala, ele comentara que estava montando uma banda de musica na cidade convidando-me a participar, eu com 18 anos nem imaginava em ser musico, era mais por diversão, mas no fim deu certo, me matriculei na escola de musica, as aulas eram ministradas pelo Maestro Geral Moises defronte a prefeitura, com meus colegas de turma: Olimpio, Cesar, Anchieta, Ciro, estudei teoria musical  e  a pratica foi no trombone em sib, entrei na Banda nos festejos da Padroeira do distrito Moraes em 29 de julho de 1988.

Hely Alen: A regência da banda, como aconteceu?

Gilmar: Na saída do regente Marcos Jobá, o prefeito da época Emanuel Bringel através de Paulo Januário reuniu-se com a turma da Banda de Musica e os mesmos indicaram eu e Flávio para regência interina, o tempo foi passando e tudo dando certo, então nos ficamos regendo por quase 10 anos a Banda.
Hely Alen: Diga-nos uma lembrança marcante que a banda lhe proporcionou?
Gilmar: São muita lembranças memoráveis, porem o dia 29 de julho de 1988, a minha estréia tocando na banda nos festejos da padroeira do distrito Moraes, é um dos momentos inesquecível da minha vida.

Hely Alen: Analisando esses anos todos, como você ver a banda?

Gilmar: A Banda quando iniciou na época do Maestro Geraldo Moises, apesar de ter apenas 11 músicos, tinha uma qualidade musical muito melhor, devido ao nível de formação dos músicos da Paraíba, hoje a banda esta com muitos aprendizes, mais o nível é muito bom também, ainda mais que, naquela época a Banda era muito bem assistida e incentivada pelo ex-prefeito Dr. Valmir Lacerda o fundador da Banda.

Hely Alen: Deixe uma mensagem para nossos amigos leitores?

Gilmar: Vou usar uma pequena frase que meu Maestro Geraldo Moises que dizia,  “Uma cidade sem Banda de Música é uma cidade triste”.

Hely Alen: Meu nobre colega Gilmar, a cultura Araripense agradece pela dedicação a Banda de Musica Maestro Álvaro Campos, seja na animação como na formação de novos músicos,  dando continuidade ao legado do Maestro Geraldo Moises,  nos sabemos que ser musico não é apenas uma profissão, mas  um modo de vida e liberdade, galgado com muita perseverança e esforço, afinal, nosso intuito principal é distribuir pensamentos musicais  através dos sons, pois a musica sempre foi a linguagem da alma.

Araripina – PE, 29 de Novembro de 2011

Entrevista com Antonio Gilberto Alencar Fernandes (Betinho)


Antonio Gilberto

Antonio Gilberto Alencar Fernandes (Betinho)  clarinetista da Banda de Músicos Maestro Álvaro Campos em Araripina/PE, natural da cidade Uiraúna na Paraíba,  de família musical como o maestro Dedé Capitão, Betinho com 40 anos de música, o único componente ativo que fez parte da 1ª formação da Banda Maestro Álvaro Campos no ano de 1987.

Hely Alen: Como surgiu o convite para participar da Banda Maestro Álvaro Campos?

Betinho: foi através do maestro da 1ª formação meu conterrâneo do Uiraúna Geraldo Moises que foi o primeiro a vir para Araripina  juntamente  com o Prefeito Dr. Valmir Lacerda e comitiva logo em seguida trouxeram alguns músicos para formar a Banda,  eu mesmo, com a dor da minha mãe adoentada e um aperto no peito, fiquei em duvidas se vinha ou não,  foi então que incentivado pelo meu amigo Adalberto  resolvi  juntamente com os demais músicos convidados ir para Araripina no dia  31 de Agosto de 1987 juntando-se a Geraldo Moises que já se se encontrava dando aula de musica na cidade, no dia seguinte 01 de setembro assinamos contrato com a Prefeitura.

Hely Alen: Quem eram os componentes da 1ª (primeira) formação da Banda Maestro Álvaro Campos?

Betinho: Começo  pelo Maestro e Professor Geraldo Moises no saxofone e regendo, Assis Veinho na tuba, Marcondes de Zé no Trompete, Antonio  Gilberto (Betinho) no clarinete, Neto Maria no trombone de vara, Sinval no trombone de vara, Cesar de Satiro no tarol, Branco de Patativa no bombo, Jose Wanderlei (bujão) no surdo todos do Uiraúna como também  Boré  nos pratos e Bandeirinha no surdo, os dois de Araripina. Com 11 componentes e dois meses de ensaios, nos preparamos para animar os Festejos da Padroeira, estreando no dia 29 de Novembro de 1987

Hely Alen: Diga-nos uma lembrança marcante que a banda lhe proporcionou?

Betinho: umas das minhas maiores lembranças é o amor que tenho pela profissão, o meu maior prazer foi formar a banda de musica através do Prefeito Dr. Valmir Lacerda que me deu a oportunidade de sermos amigos. Eu com mais de 15 anos de musica na Banda do Uiraúna  e a minha irmã Maria do Céu sempre me falava “Betinho você devia ter ser formado estudou por 13 anos”, mais o amor pela musica era maior que tudo, então  vim  para Araripina. Na época éramos bem gratificados e tínhamos o INPS e PASEP não tínhamos despesas de moradia e alimentação, lembro-me de Dona Luzia e Dona Geraldina que tomava de conta da republica. Apesar do trabalho que era manter uma Banda de Músicos, nos éramos bem considerados pelo Senhor  Prefeito Valmir Lacerda, se fosse hoje para ganhar um salário mínimo talvez não viesse ninguém. Mas quero dizer também que o que mais me tocou em Araripina alem da região ser desenvolvida com indústrias, é o desenvolvimento cultural que nesses anos através da Banda de musica proporcionou a criação de vários músicos. Hoje tem bandas marciais nos colégios, músicos mirins,  tem muitos movimentos por ai, e o meu objetivo aqui é a Banda Maestro Álvaro Campos.

Hely Alen: Numa  analise do passado ate os dias de hoje, quais as principais mudanças na Banda?

Betinho: Houve melhorias, começou com 11 músicos em 1987, chegando a 23 músicos em 1992, e hoje 2011 temos mais de 35 músicos na Banda, mas a musicalidade dos primeiros 11 componentes foi a melhor que existiu, apenas com 6 (seis) músicos de sopro de primeira, profissionais que tocavam mesmo, veja hoje a banda com 35  a 40 componentes  mas com muitos aprendizes, novatos que não toca igual aquele que ta tocando a vários anos  que são experientes e tarimbados na musica, não se justifica. Mas eu já fui aprendiz também, sei como é difícil entrar numa banda, na minha época tinha que saber tocar mesmo.

Hely Alen; Deixe uma mensagem para nossos amigos leitores?

Betinho: É que banda de musica como sempre falava Dr. Valmir Lacerda tem que fazer um pagamento pra turma para melhorar o ordenado dele, pois todas as prefeituras recebiam verbas da cultura pra formar uma Banda de musica, e se não pagar bem aos músicos, o musico não vão e nem rende,  tem que dar assistência,  é aquele dizer “Araripina teve a felicidade em formar uma Banda de músicos”, e o que eu aconselho e isso, “a minha vocação é musico, e músico de banda de musica, tem musico que toca em banda de forro em outros seguimentos, esquecendo o trabalho da banda de musica, eu toco carnaval no saxofone. “Os  jovens para começar a estudar musica quanto mais garoto melhor, pois a musica é terapia e faz desenvolver a mentalidade dos jovens, e não sou eu que estou dizendo é comprovado”.

Betinho: Eu vou falar uma coisa, eu agradeço a Dr. Valmir Lacerda por ter criado a Banda, de todos os prefeitos ate o momento, foi o que deu maior assistência e importância a cultura de Araripina.

Hely Alen: Meu amigo Betinho, nos agradecemos o apoio dado a cultura Araripense junto a Banda de Musica Maestro Álvaro Campos na sua formação, por todos as vezes que tocou o Hino Nacional, o Pernambucano e o Araripinense, o musico nesse pequeno momento é tão importante quanto o político que hasteia a bandeira ou descobre a placa de inauguração, participou e participa dos principais eventos da cidade, você que  até hoje tem dado seqüência na valorização da Banda de Musica como o maior patrimônio artístico cultural de Araripina.

Araripina – PE, 28 de Novembro de 2011